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Etiópia: Sindicalistas de professores definem agenda ousada e traçam o futuro da educação de qualidade.

A 23ª Assembleia Geral da Associação de Professores da Etiópia (ETA) foi realizada de 14 a 15 de outubro de 2025, reunindo educadores e dirigentes sindicais de todo o país e continente. O evento foi um apelo à solidariedade, à reforma e ao renovado compromisso com uma educação pública inclusiva e de qualidade.

Educação: Um direito humano fundamental

No seu discurso, o Diretor da Internacional da Educação África (IEA), Dr. Dennis Sinyolo, deu o mote com uma mensagem de união e urgência. “Estou muito feliz por estar de volta à Etiópia, apenas alguns dias depois de ter participado numa conferência bem-sucedida sobre a formação de professores na sede da União Africana.”

Diretor da Internacional da Educação África, Dr Dennis Sinyolo

Transmitindo saudações dos líderes globais da educação e enfatizando a solidariedade entre os professores de todo o continente, lembrou aos delegados: “A educação é um direito humano fundamental e um bem público consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), no Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais (1966), na Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança (1989) e na Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.”

O desafio: Escassez de professores e subfinanciamento

O Dr. Sinyolo destacou ainda as duras realidades enfrentadas pela educação africana. “A escassez de professores continua a impedir o progresso da educação em todo o continente. As projeções da UNESCO mostram que são necessários 44 milhões de novos professores para atingir o ODS 4 até 2030, 15 milhões deles só na África Subsariana”, observou. Segundo o mesmo, a causa principal é o investimento insuficiente, uma vez que, “em média, os governos africanos investem 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) ou 15% do orçamento nacional em educação, em vez dos parâmetros mínimos internacionalmente acordados de 6% e 20%, respetivamente”.

Torne a ''Pela escola pública! Investir na educação'': uma iniciativa continental

O Diretor da EIA chamou ainda a atenção dos participantes para a campanha ''Pela escola pública! Investir na educação'' da IE, lançada em 26 países africanos, incluindo a Etiópia. “Estamos a apelar aos governos para que invistam na educação e nos professores, nas infraestruturas e nos recursos de ensino e aprendizagem. Por isso, estamos a reivindicar uma escola pública de qualidade para cada criança africana e etíope”, declarou Sinyolo. “Uma escola pública onde cada criança é ensinada por um professor altamente treinado, qualificado profissionalmente, motivado e apoiado, e aprende numa sala de aula bem equipada, segura e saudável.”

As condições de trabalho dos professores são as condições de aprendizagem dos alunos.

O Dr. Sinyolo acrescentou: “Os nossos professores devem receber salários dignos; devem ter boas condições de trabalho e receber a confiança e o apoio que tanto merecem. As condições de trabalho dos professores são as condições de aprendizagem das crianças”.

Por isso, instou o governo etíope a implementar as Recomendações do Painel de Alto Nível do Secretário-Geral da ONU sobre a profissão docente, salientando que “o ensino não deve ser uma profissão de último recurso ou um trampolim para outras profissões, mas sim uma profissão atraente e de primeira escolha!”

Liderança e reforma: a visão da ETA para o futuro

Por sua vez, Yohannes Benti, presidente da ETA e membro do Conselho Executivo da IE, reconheceu o papel fundamental dos professores: “Os professores desempenham um papel vital na formação das gerações. Por isso, embora a queda da qualidade da educação no nosso país exija o contributo de várias partes interessadas, os professores carregam a maior responsabilidade – desde a proposta de soluções à implementação de ações corretivas. Como tal, devemos cumprir a nossa responsabilidade profissional, garantindo a qualidade da educação e melhorando os resultados de aprendizagem dos alunos através do esforço coletivo.”

Presidente da Associação de Professores Etíopes, Yohannes Benti

“Para proporcionar uma educação de qualidade, os professores precisam de ambientes de trabalho adequados e de estar bem motivados. Acreditamos que a nossa instituição principal – o Ministério da Educação – tem uma quota-parte significativa desta responsabilidade”, continuou Benti.

Prosseguiu destacando os desafios: “A maioria das nossas instituições de ensino básico e secundário permanece abaixo do padrão, e nestas condições, esperar resultados de qualidade é irrealista. Por isso, para lidar com a escassez de recursos humanos, especialmente professores, e de recursos materiais, é essencial aumentar o financiamento para a educação.”

A assembleia não se tratava apenas de reflexão; tratava-se também de ação. Foram realizadas eleições de liderança e debatidas reformas estratégicas. Benti fez então um apelo à união: “Gostaria de vos exortar a permanecerem unidos e focados em atender às necessidades dos vossos alunos e membros, pois na união reside a força. Organizem-se e mobilizem-se por uma ETA mais forte e um sistema educativo etíope mais forte!”

Cinco Grandes Princípios: Um plano para a mudança e a união

Sinyolo terminou com um apelo à formulação ou reforma de políticas ambiciosas: “Pensem GRANDE. Planeiem GRANDE. Invistam GRANDE. Ajam GRANDE. Conquistem GRANDE.”

Enquanto a Etiópia e África enfrentam desafios assustadores no sector da educação, os unionistas saíram do congresso com um mandato renovado: defender, pressionar e exercer pressão sobre as autoridades públicas até que o direito à educação se torne uma realidade para todas as crianças.