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Palestina: Sindicato de professores reforça a resiliência e a liderança em meio à guerra e à crise salarial

Sob a repressão e a guerra na Palestina, os professores são a espinha dorsal do sistema educativo e a solidariedade internacional dos sindicatos da educação continua a ser uma tábua de salvação para muitos. Na Palestina, os professores não recebem os seus salários há mais de 15 meses devido à retenção dos rendimentos públicos pelo governo israelita. Continuam também a viver e a trabalhar sob ocupação e ataques militares. Apesar da guerra e do genocídio, o Sindicato Geral dos Professores Palestinianos (GUPT) implementou com sucesso um programa inovador para reforçar a educação digital, a liderança feminina e a capacidade e resiliência sindical.

O projeto de três anos chegou a 416 educadores, proporcionando melhorias mensuráveis no bem-estar dos professores, na igualdade de género, nas competências digitais e no envolvimento sindical. Os seus resultados confirmam que os sindicatos da educação desempenham um papel fundamental não só na defesa dos direitos, mas também na sustentabilidade da própria educação durante as crises.

Testemunhos fortes e positivos dos professores

Os participantes descreveram o programa como transformador, tanto a nível profissional como pessoal. Destacaram também o aumento da confiança, da resiliência emocional e da capacidade de gerir o stress e as responsabilidades em condições extremamente difíceis.

Muitos relataram uma mudança significativa, passando da utilização de ferramentas básicas para a integração confiante de aplicações digitais e baseadas em IA no seu ensino, tornando a aprendizagem mais interativa e inclusiva.

A formação também aprofundou a sua compreensão sobre a justiça de género, capacitando as educadoras para que se vissem como líderes, em vez de atoras passivas.

Várias professoras salientaram que, pela primeira vez, compreenderam plenamente os seus direitos, o papel do seu sindicato e a força da ação coletiva.

As participantes referiram ainda que o programa reforçou a solidariedade e contribuiu significativamente para renovar a confiança no sindicato, num momento de atrasos prolongados no pagamento dos salários e de crise.

Como explicou o secretário-geral do GUPT, Saed Erziqat, a parceria com outros sindicatos da educação a nível global e o seu «compromisso inabalável para com os educadores palestinianos» «desempenhou um papel vital na implementação bem-sucedida e na sustentabilidade deste projeto transformador».

Acrescentou: «Conseguimos conceber e implementar iniciativas de formação abrangentes que reforçam a capacidade digital dos professores, as competências socioemocionais, a sensibilização para as questões de género, as práticas de justiça educativa e o envolvimento sindical. O impacto desta parceria tem sido mensurável e profundamente significativo para os educadores que trabalham em circunstâncias extremamente desafiantes.»

Em consonância com as normas internacionais relativas à profissão docente

É igualmente de salientar que o programa GUPT está em conformidade com as recomendações da ONU sobre a profissão docente, reconhecendo que a escassez persistente e crescente de professores é agravada pelas enormes dificuldades enfrentadas pelos docentes que trabalham em contextos de crise.

Com o apoio financeiro das organizações membros da Internacional da Educação, o programa GUPT prevê continuar nos próximos anos.